Uma empresa desenvolveu um ótimo produto ou serviço e criou um plano de negócios sólido. Agora, ela precisa de metas claras e mensuráveis e de um plano para acompanhar se essas metas estão realmente sendo alcançadas, ou seja, um framework de gestão. Um desses frameworks, com foco específico em qualidade, é o modelo EFQM (na versão atual: modelo EFQM 2020).
- O que o EFQM resolve: muitas empresas otimizam uma área (lucro, velocidade) e acabam negligenciando outras (cultura, sustentabilidade). O EFQM força uma autoavaliação completa que passa por liderança, estratégia, pessoas, processos e resultados
- As 3 perguntas: por que sua organização existe? (direção) → como você entrega esse propósito? (execução) → quais resultados provam que você está tendo sucesso? (resultados)
- Autoavaliação RADAR: para cada critério, avalie: quais resultados você quer? quais abordagens vão te levar até lá? como você vai implementá-las? como você vai avaliar e refinar? É um ciclo de melhoria contínua
- O ponto cego do EFQM: excelente para planejar a excelência a longo prazo, mas lento demais para pivôs trimestrais. Combine com OKRs para traduzir metas anuais de qualidade em sprints de 90 dias que as equipes conseguem realmente executar
Este artigo explica exatamente o que está por trás do conceito, como o modelo EFQM funciona e como ele pode ser combinado com OKRs.
O que você vai encontrar:
- O que significa EFQM? Definição, origem e evolução
- Como funciona o modelo EFQM?
- O que o modelo EFQM oferece? Vantagens e desvantagens
- EFQM vs. OKRs: uma comparação
- Conclusão: EFQM e OKRs podem ser combinados?
- Modelo EFQM: perguntas frequentes
O que significa EFQM? Definição
A sigla "EFQM" significa "European Foundation for Quality Management" (Fundação Europeia para a Gestão da Qualidade). Além de dar nome ao conceito, a fundação também foi responsável por desenvolvê-lo.
No geral, o modelo EFQM é considerado um modelo abrangente de gestão da qualidade. Na versão mais recente, ele se baseia em sete critérios e ajuda a entender e analisar o comportamento, o modo de pensar e a cultura de uma organização, sempre com o objetivo de melhorar o desempenho operacional em todas as áreas e em todos os níveis.
O modelo oferece uma visão geral da organização, revela pontos de melhoria e, ao mesmo tempo, disponibiliza técnicas e ferramentas para medir essa evolução ao longo do tempo. O ponto central aqui é a relação entre causa e efeito: as empresas devem analisar o que fizeram especificamente, quais resultados alcançaram com isso e quais lacunas ainda existem.
Em resumo, o modelo EFQM é um framework de gestão focado em qualidade que ajuda as organizações a reconhecer em que ponto do "caminho para a excelência" elas estão e quais passos são necessários para se tornarem (ainda) melhores.
Origem e evolução do modelo
A primeira versão do modelo EFQM (também chamado de modelo de excelência EFQM) foi publicada no fim da década de 1980. O objetivo original era criar um framework de gestão unificado que ajudasse as organizações a se tornarem mais eficazes, impulsionando com isso a competitividade geral da economia europeia.
Desde então, o modelo EFQM é um dos sistemas de referência em gestão da qualidade, e está em constante evolução. A atualização mais recente é de 2019: o modelo EFQM de 2013, usado até então, passou por uma revisão profunda e foi publicado em novembro de 2019 como o "modelo EFQM 2020".
Essa última revisão redesenhou completamente a estrutura do modelo EFQM, que agora tem um foco maior na cultura corporativa. Neste artigo, vamos olhar de perto como é exatamente essa nova estrutura.
Como funciona o modelo EFQM?
De forma geral, o modelo EFQM descreve, de um jeito prático, quais requisitos uma empresa deve cumprir para ser excelente, com base em sete critérios organizados em três blocos: direção, execução e resultados.
Por trás desses três blocos está uma lógica simples, mas eficaz, formada por três perguntas centrais:
- ➡️ Direção: por que a organização existe? Qual propósito ela cumpre? Por que essa estratégia em particular?
- ⚙️ Execução: como ela pretende entregar seu propósito e sua estratégia?
- 📈 Resultados: o que ela já conquistou até agora? O que pretende conquistar no futuro?
Assim, o modelo conecta o propósito, a visão e a estratégia de uma organização (o porquê) aos benefícios que ela gera para seus stakeholders (o como) e a uma excelência sustentável nos resultados (o quê).
A direção
Ao definir uma direção, a organização orienta seus colaboradores (missão, visão e valores), forma a cultura e traça um caminho (a estratégia).
Esse bloco, portanto, está totalmente voltado para o futuro da empresa e se divide em dois critérios:
- 1️⃣ Propósito, visão e estratégia: organizações de destaque se definem por um propósito inspirador (missão), uma visão aspiracional e uma estratégia eficaz, criada para gerar valor sustentável.
- 2️⃣ Cultura organizacional e liderança: uma organização excelente compartilha os mesmos valores em todos os níveis e constrói uma cultura voltada para o sucesso. Líderes fortes dão o exemplo.
A execução
Na execução, o foco está em colocar a estratégia em prática. Esse bloco se divide em três critérios:
- 3️⃣ Engajar os stakeholders: as empresas devem conhecer, entender e envolver seus stakeholders. É preciso observar de perto o que os grupos identificados como importantes para o sucesso da empresa, por exemplo clientes, colaboradores ou a sociedade como um todo, realmente precisam.
- 4️⃣ Criar valor sustentável: boas empresas sabem que só conseguem se manter bem-sucedidas e melhorar o desempenho no longo prazo se criarem valor sustentável para seus stakeholders.
- 5️⃣ Impulsionar desempenho e transformação: quem quer ter sucesso hoje e no futuro precisa focar em melhorar o desempenho no presente, sem deixar de ser inovador e aberto a mudanças. O ideal é que a mudança seja até ativamente provocada e moldada pela própria empresa.
Os resultados
Tudo o que uma empresa alcança nos blocos de direção e execução pode ser medido com a ajuda de dois critérios centrais de resultado:
- 6️⃣ Percepções dos stakeholders: as organizações devem observar resultados baseados no feedback dos principais stakeholders sobre como eles percebem a organização.
- 7️⃣ Desempenho estratégico e operacional: ao mesmo tempo, as organizações também devem acompanhar os resultados-chave de desempenho, ou seja, todos os resultados que mostram se a empresa está conseguindo cumprir seu propósito, executar a estratégia escolhida, criar valor e promover mudanças.
Em princípio, cada um dos sete critérios do modelo pode ser dividido em vários subcritérios, que por sua vez trazem possíveis pontos de partida para a implementação prática. A figura a seguir mostra a estrutura básica do modelo.
O modelo EFQM "antigo"
Para efeito de comparação, na versão anterior o modelo EFQM tinha um total de nove critérios: cinco pré-requisitos (os chamados "enablers", ou fatores facilitadores) e quatro resultados. A base era essencialmente três pilares originados do "Total Quality Management" (TQM, gestão da qualidade total): pessoas, processos e resultados.
A premissa era que, como empresa, você obtém os melhores resultados quando todos os colaboradores (pessoas) participam do processo de melhoria contínua.
Os cinco fatores facilitadores eram:
- Liderança
- Política e estratégia
- Colaboradores
- Recursos e parcerias
- Processos
Os quatro critérios de resultado do "antigo" modelo EFQM se dividiam em:
- Resultados voltados para o cliente
- Resultados voltados para o colaborador
- Resultados voltados para os stakeholders
- Resultados-chave de desempenho
Gestão de desempenho com a lógica RADAR
Dentro do modelo EFQM, é a própria empresa que avalia se uma organização tem um bom desempenho e implementa melhorias com sucesso, seguindo a chamada lógica RADAR.
As quatro letras significam:
- Results (resultados): defina os resultados que a empresa quer alcançar com uma estratégia.
- Approaches (abordagens): defina as abordagens para alcançar os resultados agora e no futuro.
- Deployment (implementação): implemente as abordagens.
- Assess and Refine (avaliar e refinar): avalie e refine a abordagem implementada para aprender com os erros e melhorar.
Assim, a lógica RADAR descreve como uma empresa pode guiar, melhorar e desenvolver melhor sua forma atual de trabalhar.
A avaliação geralmente é feita em uma tabela que lista os segmentos e critérios individuais, junto com atributos que indicam em que medida cada critério é cumprido. Depois, tudo é avaliado de acordo com um sistema de pontuação específico.
O que o modelo EFQM oferece? Vantagens e desvantagens
O modelo EFQM ajuda as organizações a gerenciar mudanças e melhorar seu desempenho. Por isso, ele traz várias vantagens:
- ✔️ O modelo ajuda as empresas a definir seu propósito e construir uma cultura geradora de valor, focada em metas em comum.
- ✔️ As mudanças são impulsionadas de forma ativa. O modelo oferece um framework de ação testado e aprovado para tornar esse processo o mais tranquilo possível.
- ✔️ Ao garantir que os processos sejam analisados e otimizados continuamente, o modelo ajuda a fomentar práticas ágeis.
- ✔️ O modelo é aberto e, em vez de oferecer "o" único caminho certo, disponibiliza uma "caixa de ferramentas" com diferentes abordagens que cada empresa pode escolher de acordo com sua realidade.
- ✔️ O modelo incorpora intensamente o feedback de stakeholders importantes para melhorar ainda mais o desempenho da organização.
Ao mesmo tempo, o EFQM também traz alguns desafios. Estas são as principais desvantagens do framework:
- ❌ O modelo é voltado para uma gestão de mudanças contínua e de longo prazo. Por isso, é menos indicado para alcançar metas de curto prazo.
- ❌ É um framework de autoavaliação que exige muita disciplina, e é questionável se a avaliação pode realmente ser feita de forma objetiva e honesta o bastante com uma ferramenta tão simples.
- ❌ Muitos termos do modelo são formulados de maneira vaga ou não são suficientemente definidos, o que dificulta trabalhar com ele.
- ❌ Para implementar um modelo tão abrangente, é indispensável ter um alto nível de comprometimento e uma liderança forte em todos os níveis da empresa.
- ❌ O modelo é muito amplo e, por isso, complexo de implementar. Ele só funciona em um nível corporativo superior, não para equipes ou colaboradores individuais.
EFQM vs. OKRs: uma comparação
Além do EFQM, existem muitos outros conceitos de gestão pensados para tornar as empresas estrategicamente melhores e impulsioná-las para frente, cada um com um foco diferente.
💡 Dica: Balanced Scorecard, Hoshin Kanri, MBO, OGSM e OKR são alguns exemplos de frameworks de gestão que vale a pena conhecer mais de perto.
À primeira vista, os OKRs, sigla para "Objectives and Key Results" (ou Objetivos e Resultados-Chave), parecem ter pouco em comum com o EFQM e não oferecer nenhuma oportunidade concreta de integração. Mas, olhando mais de perto, fica claro que isso não é bem verdade, principalmente quanto ao segundo ponto.
💡 Dica: se você quiser se aprofundar mais em OKRs, dá uma olhada no nosso guia de OKR ou explore outros artigos interessantes no nosso blog.
Sim, os dois frameworks têm algumas ⚡ diferenças fundamentais, mas também 🤝 semelhanças:
- ⚡ Foco: comparado aos OKRs, o modelo EFQM tem um escopo muito mais amplo. Ele define, sobretudo em nível conceitual, o que uma empresa quer alcançar como um todo (com foco na gestão da qualidade). Os OKRs giram em torno de metas e da sua realização concreta no dia a dia, tanto individualmente na equipe quanto em nível corporativo.
- ⚡ Acesso: por ser bastante complexo, o modelo EFQM não é acessível (ou é acessível apenas com dificuldade) para colaboradores individuais. Já os OKRs podem ser implementados individualmente ou em equipes pequenas, e são fáceis de entender para todo mundo na empresa.
- ⚡ Transparência: o eixo central do modelo EFQM é o nível de gestão. Muitas vezes, é difícil para os colaboradores que precisam implementar a estratégia terem uma visão completa do conceito. Os OKRs, por outro lado, costumam ser criados de forma simples, transparente e voltada para a equipe, top-down e bottom-up.
- ⚡ Frequência: o EFQM é pensado para mudanças de longo prazo, enquanto os OKRs são definidos em um horizonte mais curto, geralmente a cada três ou quatro meses, e revisados em check-ins.
- 🤝 Ambição: os dois frameworks definem metas ambiciosas para a empresa. Erros são vistos como oportunidades de aprendizado e potencial de melhoria.
- 🤝⚡ Adaptabilidade: os dois frameworks são flexíveis, mas diferem nos detalhes: os OKRs costumam ser redefinidos a cada trimestre e revisados regularmente. Já o EFQM busca a excelência em temas fixos e foca na melhoria contínua.
Conclusão: EFQM e OKRs podem ser combinados?
No geral, são dois frameworks bem diferentes, com metas bem diferentes, que mesmo assim (ou justamente por isso) podem funcionar muito bem juntos.
O modelo EFQM tem um escopo mais amplo e pode ser aplicado para criar uma estratégia de gestão abrangente e de longo prazo, cuja implementação concreta é apoiada pelos OKRs.
Por exemplo, os OKRs podem ser usados para resolver, aos poucos e em um ritmo trimestral, os pontos em aberto das autoavaliações do EFQM, aproveitando as ideias e sugestões de toda a equipe ao definir os OKRs junto com os colaboradores.
Dessa forma, OKRs simples e diretos equilibram a complexidade do modelo EFQM e garantem que todos os colaboradores entendam como podem contribuir individualmente para a implementação da estratégia corporativa (a visão).




