Depois de definir sua visão e seus objetivos estratégicos, toda empresa também precisa colocá-los em prática. Para isso dar certo, você precisa de um plano estratégico claro que todos os colaboradores consigam entender. Uma forma de criar esse plano é o Hoshin Kanri, um método de gestão japonês que reúne a visão, as estratégias e as metas de uma empresa em uma matriz concisa.
Neste artigo, vamos ver como funciona o método Hoshin Kanri, o que "Hoshin Kanri" realmente significa e como a matriz Hoshin Kanri pode ser combinada com outros métodos.
- Uma bússola para a empresa: o Hoshin Kanri (literalmente "gestão com bússola") alinha visão, estratégia e metas em uma única matriz compartilhada, para que todas as equipes remem na mesma direção.
- Sete passos, não uma ação isolada: o processo vai da visão e dos objetivos de ruptura até os objetivos anuais, as ações, os KPIs, o monitoramento e a revisão, e depois recomeça.
- Top-down encontra bottom-up: o ciclo do catchball e o ciclo PDCA convidam os colaboradores a dar feedback em todos os níveis, transformando um plano hierárquico em um sistema que aprende.
- Mais forte quando combinado: combine o Hoshin Kanri com OKRs, Balanced Scorecard ou SMART para corrigir seus pontos fracos nos ciclos curtos e na definição concreta de metas.
O que você vai encontrar:
- O que é Hoshin Kanri? Definição
- Como funciona o método Hoshin Kanri: 7 passos
- Visualização com a matriz Hoshin Kanri
- O que o Hoshin Kanri pode oferecer? Vantagens e desvantagens
- Dicas práticas: combine o Hoshin Kanri com outros métodos
- Conclusão: uma ferramenta eficaz de visualização
- Hoshin Kanri: perguntas frequentes
O que é Hoshin Kanri? Definição
O termo Hoshin Kanri vem do japonês e é formado por vários elementos: "Hoshi" significa "estrela" ou "agulha da bússola", "Hoshin" quer dizer "estratégia" e "Kanri" significa "gestão". Traduzido por completo, Hoshin Kanri significa algo como "gestão com bússola", ou seja, a orientação estratégica rumo a uma determinada meta. O método também é conhecido como Policy Deployment ou Management by Policy.
Como método para implementar uma estratégia em toda a empresa, o Hoshin Kanri não é nem novo nem espetacular, mas é simples e prático. O que o torna especial é que ele combina uma abordagem top-down clássica com elementos bottom-up do lean management.
A alta gestão desenvolve uma visão e uma estratégia para toda a empresa e as transmite como metas a serem alcançadas em todos os níveis hierárquicos. Os colaboradores então as colocam em prática de forma autônoma. Todas as equipes verificam regularmente se estão alcançando suas metas e como podem melhorar ainda mais, e depois repassam suas sugestões de melhoria aos seus gestores.
A meta do Hoshin Kanri é que, no final, todo mundo reme na mesma direção e trabalhe rumo à estratégia e às metas da empresa.
Elementos centrais do Hoshin Kanri
A ideia por trás do Hoshin Kanri vem do lean management. Trata-se de extrair o máximo dos recursos de uma empresa por meio da melhoria contínua.
Além disso, o Hoshin Kanri também incorpora elementos do Kaizen, uma filosofia japonesa de vida e de trabalho que busca a melhoria constante em tudo.
Em termos de liderança, o Hoshin Kanri se apoia no modelo 4C e exige dos tomadores de decisão:
- Clareza
- Coragem
- Comprometimento (no sentido de compreender o propósito)
- Consenso (no sentido de uma compreensão compartilhada das prioridades e de ideias sobre como envolver os colaboradores)
Como funciona o método Hoshin Kanri: 7 passos
Assim como outros métodos de gestão estratégica, o Hoshin Kanri não é uma ação pontual, e sim um processo contínuo. O processo de planejamento do Hoshin Kanri é formado por sete passos:
1. Estabelecer a visão organizacional
O processo de planejamento Hoshin sempre começa com a alta gestão definindo uma visão corporativa. A visão indica o que a empresa representa, quais valores ela incorpora ou o que ela quer alcançar no longo prazo. Por exemplo, uma visão assim poderia ser:
2. Desenvolver os objetivos de ruptura
O próximo passo é desdobrar a visão da empresa em metas estratégicas intermediárias e menores, os chamados objetivos de ruptura. Aqui, estamos falando de objetivos concretos para os próximos três a cinco anos. Para que fiquem o mais práticos possível, o ideal é que não sejam definidos apenas pela alta gestão, mas em conjunto com a gestão intermediária. A finalidade dos objetivos de ruptura é tornar a visão mais compreensível e tangível.
3. Desenvolver os objetivos anuais
Em seguida, tudo fica ainda mais concreto: definem-se os objetivos anuais da empresa. Na maioria dos casos, eles são submetas dos objetivos de ruptura definidos antes. Esse passo responde à pergunta: até onde queremos chegar este ano? O importante aqui é que isso seja feito de forma transversal, entre departamentos e divisões, e que esses objetivos anuais também sejam criados em conjunto por uma equipe de liderança formada por gestores seniores, gestores de nível intermediário e líderes de equipe.
4. Determinar as ações
Colocar as metas em prática exige ações concretas. Com o Hoshin Kanri, elas não são totalmente impostas de cima para baixo, e sim elaboradas em conjunto com os colaboradores. Isso garante que as ações sejam realmente viáveis.
5. Definir os indicadores
Junto com as ações, também se definem indicadores que mostram se elas tiveram o efeito desejado e se as metas foram alcançadas. Faz sentido incluir não só indicadores de desempenho tradicionais (por exemplo, vendas, qualidade ou produtividade), mas também indicadores de processo (por exemplo, taxa de erros) e métricas como satisfação do cliente ou reconhecimento de marca.
6. Monitorar a implementação
Só implementar estratégias e ações não é suficiente. Também é preciso fazer verificações regulares para garantir que todo mundo está no caminho certo ao implementar os objetivos anuais. Como isso é feito e com que frequência pode variar. Algumas metas levam tempo e só podem ser monitoradas depois de alguns meses; para outras, faz sentido revisar antes se você ainda está indo na direção certa.
7. Aprender e ajustar
Depois de um tempo, geralmente no final do ano, a empresa faz um balanço geral em grande escala: as metas estratégicas de curto e médio prazo foram alcançadas? Em que ponto estamos no caminho para nossas metas de longo prazo? O que funcionou bem, o que ainda precisa ser otimizado? E o que podemos aprender com tudo isso como empresa? Os resultados dessa análise são então usados para definir ações corretivas no plano estratégico do próximo ano.
Particularidades do processo de planejamento Hoshin
O Hoshin Kanri não funciona de forma estritamente hierárquica. Isso gera duas particularidades adicionais no processo: o catchball e o ciclo PDCA.
O catchball do Hoshin Kanri
Em sentido figurado, os colaboradores jogam repetidamente o catchball para seus gestores ao longo de todo o processo do Hoshin Kanri, ou seja, dando feedback à gestão em forma de críticas e sugestões de melhoria.
Assim, os gestores conseguem ver se suas ações fazem sentido e podem realmente ser colocadas em prática, além de saber se todos os colaboradores entenderam o que devem fazer.
O modelo PDCA
O modelo PDCA ajuda a implementar o Hoshin Kanri na empresa. É uma técnica de melhoria contínua também usada, por exemplo, em métodos como Scrum ou Gestão por Objetivos (MBO). Dentro dos sete passos do Hoshin Kanri, ele é aplicado para controlar a implementação das ações.
As quatro letras representam quatro fases: Plan, Do, Check e Act (planejar, fazer, verificar e agir). Ou seja: dentro de um ciclo PDCA, as metas são definidas em etapas curtas (por exemplo, mensalmente) (Plan). Elas são implementadas com ações concretas (Do). Depois, verifica-se se as metas foram alcançadas (Check). Dependendo do resultado dessa verificação, o rumo é mantido ou corrigido com novas ações (Act).
Visualização com a matriz Hoshin Kanri
Visualmente, esse método de gestão japonês é representado na forma de uma matriz, que lembra um pouco uma bússola:
- A visão da empresa fica no centro, funcionando como a base da agulha da bússola, por assim dizer.
- As ações e estratégias que os líderes derivam da visão ficam ao norte.
- O sul reúne o planejamento de longo e médio prazo, ou seja, as metas da empresa para os próximos três a cinco anos.
- A oeste ficam registradas as metas de curto prazo (geralmente para um ano).
- Do lado oposto, a leste, estão os indicadores correspondentes.
A matriz Hoshin Kanri (também chamada de X-matrix do Hoshin Kanri) tem o objetivo de ajudar todo mundo na empresa a entender para onde a jornada está indo e por que cada ação individual faz sentido. A matriz nunca é definitiva: os colaboradores podem influenciar e ajudar a decidir a direção, até certo ponto.
O que o Hoshin Kanri pode oferecer? Prós e contras
Quando bem implementado, o Hoshin Kanri fecha a lacuna entre estratégia e execução. Ao mesmo tempo, porém, o método de gestão também apresenta uma série de desafios para quem toma as decisões.
Resumimos aqui os principais prós e contras do Hoshin Kanri.
Os prós:
✔️ O Hoshin Kanri ajuda a organização a focar e visualizar as metas corporativas.
✔️ Processos hierárquicos rígidos se flexibilizam com elementos ágeis. Assim, as empresas conseguem agir de forma mais flexível.
✔️ A visualização torna fácil comunicar a estratégia corporativa.
✔️ O conceito pode ser usado de forma flexível, independentemente do tamanho da empresa.
Os contras:
❌ O Hoshin Kanri não impede a formulação de metas falsas ou irreais.
❌ A concorrência e os fatores externos não têm peso na técnica e são ignorados.
❌ O Hoshin Kanri só oferece um framework de visualização e um esboço do processo. Como exatamente as metas são definidas e formuladas não é especificado.
❌ As metas são formuladas para um ano. Em um ambiente de trabalho que muda rápido, esse período de planejamento pode ser longo demais.
Dicas práticas: combine o Hoshin Kanri com outros métodos
Os pontos fracos do Hoshin Kanri podem ser bem compensados ao combinar a técnica com outros métodos (ágeis) ou ao acrescentar informações extras à matriz Hoshin. Por exemplo, você pode:
- incluir os responsáveis e os prazos de cada ação na matriz.
- atribuir cada objetivo de ruptura e cada objetivo anual a diferentes categorias ou perspectivas, transformando a matriz em um Balanced Scorecard (BSC) ou um Strategy Map.
- formular cada objetivo anual e de ruptura pelo método dos objetivos SMART.
- usar OKRs para desdobrar ainda mais as metas anuais e focar em objetivos específicos durante um período determinado (geralmente trimestral) na implementação. O software de OKR certo pode ajudar nisso.
Hoshin Kanri vs. OKR: semelhanças e diferenças
Vale a pena comparar OKR vs. Hoshin Kanri e ver como combinar os dois métodos. Os OKRs (sigla para "Objectives and Key Results", ou Objetivos e Resultados-Chave) e o Hoshin Kanri têm algumas coisas em comum:
- Ambos os métodos buscam criar alinhamento e transparência, e permitir que os colaboradores contribuam para as metas da empresa por meio de um trabalho autônomo.
- Tanto o Hoshin Kanri quanto os OKRs funcionam como um processo iterativo.
No entanto, eles também se diferenciam em dois aspectos importantes: complexidade e tempo. Enquanto o Hoshin Kanri costuma envolver a definição de metas em vários níveis e o estabelecimento de uma estratégia holística e abrangente para toda a organização ao longo de vários anos, os OKRs se concentram em metas específicas por um período mais curto, de três a quatro meses. Além disso, os OKRs são mais enxutos e focados exclusivamente em resultados.
💡 Dica: se você quiser saber mais sobre OKRs ou relembrar o que já sabe, dê uma olhada no nosso Guia de OKR ou navegue pelo nosso blog.
Como os OKRs trabalham com períodos mais curtos, eles abrem as possibilidades de combinação com o Hoshin Kanri mencionadas acima.
💡 A propósito, existem outros frameworks estratégicos que podem impulsionar o sucesso de uma empresa por meio de metas estratégicas. Além do Hoshin Kanri e do OKR, também vale a pena conhecer o MBO, o OGSM e o Balanced Scorecard.
Conclusão: uma ferramenta eficaz de visualização
Para ter sucesso no longo prazo, as empresas precisam de uma estratégia bem pensada. Ao mesmo tempo, elas precisam se manter flexíveis e conseguir reagir às mudanças no mundo do trabalho. O Hoshin Kanri consegue unir essas duas exigências no planejamento estratégico ao flexibilizar processos hierárquicos rígidos com elementos ágeis e colocar a gestão em um diálogo contínuo com os colaboradores.
No entanto, o método de planejamento também tem alguns pontos fracos: ele visualiza estratégias e oferece o framework do processo, mas não regula como exatamente as metas devem ser formuladas e identificadas. Por isso, na prática, faz sentido combinar o Hoshin Kanri (como uma ferramenta eficaz de visualização) com outros métodos (ágeis), por exemplo OKRs, Balanced Scorecard ou SMART.




